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Oie!

Gosto muito de ler sobre temas que interessam aqui na internet e, sempre que acho algo super legal e que o autor me autoriza repostar, posto aqui para vocês!

Um tema bastante atual é sobre alimentação sustentável. É muito importante nos alimentarmos de forma consciente, tanto para nosso corpo quanto ao meio ambiente. Falando nisso, li um texto super bacana escrito pela dona do blog Herbivoraz, a Julia Guedes, e acredito que vocês vão gostar também.

 

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Após entender um pouco sobre alguns aspectos do sistema alimentício e ver que ele afeta a sociedade como um todo, passei a procurar por maneiras de não utilizá-lo, dentro do possível, de forma tão dependente. Ser independente em relação a sua comida é tão libertador quanto a independência financeira, embora não menos desafiante.

O conceito de comida sustentável, assim como a sustentabilidade em si, consiste em entender que os sistemas de produção de comida atuais precisam ser pensados de forma consciente porque são eles que ditarão como nos alimentaremos no futuro. É preciso pensar na comida como uma ciência interdisciplinar, algo que envolve muito mais do que apenas se alimentar.

Dessa forma, estaríamos nos importando em satisfazer as necessidades humanas de nutrição, melhorar a qualidade ambiental e recursos naturais dos quais a agricultura e o sistema de produção alimentícia depende, fazer o melhor com os recursos naturais disponíveis e ainda melhorar a qualidade de vida de quem produz e consome a comida.

 

MAS COMO FAZER ISSO EM PEQUENOS PASSOS?

– Conscientize-se em relação ao impacto da produção e consumo da comida nos recursos naturais do mundo. A conscientização é a parte mais importante! Mesmo que você não consiga praticar tudo o que gostaria, ser consciente e pelo menos tentar já é um passo bem grande.
– Comer bem não significa comer muito. Geralmente gastamos muito mais do que precisamos com comida, e isso, além de pesar no bolso, pesa na sustentabilidade: o desperdício de alimentos é um dos principais problemas ambientais da atualidade. A falta de alimentos em algumas regiões é explicada pela má distribuição e acessibilidade aos mesmos e não porque eles não existem. Compre e coma o necessário.
– Procure, sempre que possível, frequentar feiras livres de rua, entender sobre a sazonalidade dos alimentos e fortalecer e cultivar os produtores que ofertam comida de melhor qualidade e com preços acessíveis. Caso não tenha esse hábito, tente fazer escolhas melhores nos supermercados – compre mais frutas, legumes e alimentos não tão altamente processados (olhe nos ingredientes e, caso não reconheça mais de três nomes estranhos, tente evitar esse produto). Evitar alimentos com grandes quantidades de aditivos químicos é a chave para uma alimentação mais saudável.
– Você não precisa ir na quitanda natural X, Y e Z e comprar a barrinha de cereal de R$ 10,00 de linhaça, chia e amaranto que promete te fazer saudável do dia para a noite. Sim, são alimentos ótimos, mas que provavelmente não trarão mais benefícios do que os que podem ser encontrados no consumo de frutas, vegetais e grãos integrais. Portanto, se puder e quiser, consuma. Caso contrário, há diversas outras opções saudáveis e não tão caras para melhorar o seu bem-estar.
– Evite o desperdício de comida, (utilize talos e cascas de vegetais e frutas e não cozinhe/compre mais do que irá consumir), de água, de luz, de vida…

 

– Aprenda a cozinhar e compartilhar os prazeres da mesa – desde conversas sociais até sua satisfação própria: o sentimento é tão bom que com certeza você vai pegar gosto pela arte. Não é preciso ter ido a uma escola de culinária para aprender as técnicas da cozinha – basta experimentar, e, uma vez que você aprenda, as invenções e descobertas são muitíssimo interessantes. Cozinhar é uma arte e a maioria dos artistas já nascem com esse dom.
– Plante coisinhas em casa! Pode ser um tempero, uma semente de alguma fruta ou até mesmo uma flor. Entender como a natureza é incrível faz com que você queira compartilhar isso e disseminar pequenos e bons atos. Além do mais, você passará a se alimentar com comida que você sabe da onde veio e como foi produzida. Isso não tem preço.
– Busque seu equilíbrio. Seja realista mas ao mesmo tempo um agente de mudança, fazendo escolhas que fazem bem dentro do seu ritmo. Entenda seu corpo e como ele responde ao que você ingere e que nenhuma dieta e nem modo de vida são universais. Conhecer a si mesmo é parte essencial de conseguir mudar qualquer outro aspecto da sua vida e, consequentemente, do mundo. 🙂

 
Como cheguei a essas conclusões?

Uma das primeiras pessoas a teorizar sobre o universo gastronômico foi Jean Anthelme Brillat-Savarin, político francês que, em 1825, publicou “A Fisiologia do Gosto”. Hoje sua obra é reconhecida como uma das mais importantes da gastronomia e utilizada como referência por qualquer pessoa que se interesse perdidamente por ela. É nela que o autor, entre diversas outras frases épicas, diz que “o destino das nações depende da maneira como elas são alimentadas”.

Essa foi uma frase que teve um efeito ainda maior sobre a minha compreensão da importância da alimentação no desenvolvimento de toda e qualquer sociedade, seja ele social, cultural, econômico ou político. Anteriormente, quando não tinha tanta consciência sobre esse universo, me alimentar e pensar em qualquer coisa relacionada à comida era algo que estava ligado a costumes culturais e, obviamente, a busca pelo prazer que aquilo me proporcionava. Eu nunca imaginava que aquela comida poderia ter sido um fator decisivo na estruturação histórica da humanidade. Isso mudou por dois motivos: primeiro porque me tornei vegetariana e aprendi sobre a influência da alimentação contemporânea no meio ambiente; segundo porque li Armas, Germes e Aço (1997), de Jared Diamond.

 

Apesar de ser considerado um pouco determinista em suas afirmações, Diamond diz que a agricultura foi a tecnologia que possibilitou disparidade entre os povos, sendo um dos fatores que ditaram o ritmo de desenvolvimento de diferentes sociedades. Aproximadamente 11 mil anos atrás, depois de passarem de caçadores-coletores (recolhendo recursos da natureza e os utilizando em alguns dias) a sedentários que armazenavam comida (semeando grãos para produzir novas plantas), povos com maiores excedentes eram mais fortes, bem nutridos e, consequentemente, tinham maiores chances de ganhar guerras e conquistar territórios.

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Essa condição dependia bastante de onde eles estavam: para ter mais comida sem precisar se locomover de tempos em tempos, seu solo precisava oferecer uma quantidade variada de nutrientes e, para isso, ser de boa qualidade. As regiões que mais se desenvolveram e se destacaram foram aquelas com climas semelhantes e com maior quantidade de plantas e mamíferos domesticáveis (Crescente Fértil e China). O Crescente Fértil, entretanto, apesar de um dia ter sido o berço da civilização, se transformou em uma área desertificada – mostrando como regiões promissoras podem, com o tempo, perder todos os seus recursos.

 

Depois de algumas mudanças e avanços chegamos a era da industrialização. Logo após uma época em que a digestão era tida como um fogo na barriga que cozinhava a comida e a transformava em nutrientes, alimentos processados significaram infinitas possibilidades. Além de fazer com que as pessoas tivessem tempo para se dedicar a outras tarefas sem ser a de cozinhar o dia inteiro para sobreviver, a industrialização fez com que alimentos perecíveis, tóxicos e muitas vezes exclusivos às pessoas mais ricas se tornassem algo que todos tinham acesso, permitindo ainda mais o avanço das sociedades em outros aspectos, como o estudo de diferentes ciências e tecnologias.

 

Mas apesar de um dia a industrialização ter sido vista como um milagre, atualmente contamos com movimentos como o slow-food (que promove maior apreciação e qualidade da comida) e o que a historiadora Rachel Laudan chama de “culinária ludista” (que se opõe à industrialização) como, por exemplo, o manifesto “Em Defesa da Comida”, de Michael Pollan, um dos autores mais influentes do ativismo sobre comida da atualidade.

 

Movimentos totalmente compreensíveis, mas dificilmente aplicáveis em nossa era dos extremos: comemos mais do pior e menos do melhor, em grande parte devido ao fácil acesso à comida pronta nos supermercados e nos fast-foods. A agressiva consequência dessa situação pode ser vista tanto no meio ambiente quanto na nossa saúde. Alimentos “prontos” tendem a conter muito mais sódio, açúcar e conservantes que, se consumidos unicamente e em excesso, podem levar a casos como o de crianças com diabetes tipo 2 devido a obesidade, o que antigamente só era visto em adultos.

 

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Infelizmente, como fazemos com praticamente tudo o que é colocado em pauta, temos a tendência de classificar situações de forma extremista, sem considerar cada caso em seu contexto. A consequência disso é a criação de uma regra universal que falha ao tentar ser colocada em prática e que, muitas vezes, gera ainda mais desentendimento sobre o assunto.

 

A forma que encontrei de tentar melhorar essa situação (comida processada vs. natural, global vs. local, rápida vs. lenta, saudável vs. prejudicial, vegetarianismo vs. carnivorismo) sem ficar paranóica no meu dia a dia foi entender e respeitar o fato de que a realidade não é tão simples quanto parece e que nem todos podem se dar ao luxo de fazer as mesmas escolhas “certas”, como comer o grão da moda ou se sentar em uma mesa por duas horas em todas as refeições para apreciar a comida que acabaram de cozinhar com ingredientes sazonais e de qualidade.

 

O que eu busco e tento disseminar é o equilíbrio e a conscientização. Ou seja, práticas reais e que podem ser feitas através de pequenas e contínuas mudanças, sem a necessidade de “terrorismos”, tanto nutricionais quanto de qualquer outro aspecto, que desencorajam ainda mais o que, para algumas pessoas, já é difícil o bastante por si só. Dessa forma os resultados tendem a ser mais eficazes, duradouros e prazerosos.

 

Como diz Rachel Laudan, “o que precisamos é de um modo de ser que consiga entrar em acordo com os termos da comida contemporânea e industrializada, e não um que a exclua. Um conjunto de costumes que dê escolhas para todos, e não que se feche como exclusividade de poucos. E, por fim, que não pré-julgue, mas saiba decidir, caso a caso, quando o natural é preferível ao processado, o velho ao novo, o lento ao rápido, o artesanal ao industrial. É esse ethos – e não um ludismo, que vai nos impelir a criar cozinhas modernas incomparáveis e apropriadas ao nosso tempo.”

 

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Amei, concordo demais! E vocês?

Parabéns pelo texto, Júlia.

Aliás, adoro o blog dela, acessem para verem quanta informação útil tem lá… amo as receitinhas!

 

Beijos

Gabi

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